onde se nasce morre, 2020

Fotografia em parceria com a artista Juliana Wähner, projeto realizado na Kaaysá Art Residency.

Sobre

O trabalho “onde se nasce morre” foi desenvolvido pela performer Juliana Wähner e a fotógrafa Gabrielle Guido durante a imersão Marés em 2020 na Kayssa Art Residency – Boiçucanga, SP. Em 10 dias de convivência, elas criaram a imagem protagonista do corpo-natureza, do corpo-bicho e que está conectada aos processos ritualísticos de religar o divino em cada ser e elemento. Durante a imersão, houve um espaço de troca intenso que possibilitou a quebra dos limites entre a fotógrafa e performer, as bordas se desmancham e uma fusão, onde um único entendimento se manifesta. 

 

Na imagem, Juliana se funde com peles de peixe, penas de urubu e carcará, (uma peça de suas obras). Ao pensar o cenário, luz, enquadramento, posição e as técnicas para produção da fotografia a pesquisa sobre corpo das duas artistas encontraram um ponto em comum. Há uma forma de encarar quem vê a imagem, que resiste e contrapõe o corpo em posição fetal. O olhar é um convite para um universo onde as texturas da carne, da pena e da terra são uma só. 

 

O trabalho trata sobre as diversas camadas da relação corpo-natureza, tensionando a significância da morte-vida animal e humana e ressignificando-a, lidando com a morte como parte da vida, de um ciclo que foge do controle humano com a metáfora “onde se nasce morre”. É também uma morte chimera, onde não há limite entre corpo-bicho e corpo-humano, reconectando-se com a terra e seus ciclos ancestrais.